Jairo Carioca

Escuta Periphérica

Definindo e praticando a Escuta Periphérica

As contribuições teóricas de Jairo Carioca convergem para a formulação e prática de uma “Escuta periphérica”, um conceito que reorienta o fazer psicanalítico em direção às margens sociais e epistêmicas. Esta abordagem se define por um esforço ativo de “romper com paradigmas hegemônicos” da psicanálise tradicional, buscando um “enraizamento” em contextos periféricos.

A análise ancora-se na “interseção entre psicanálise, racismo estrutural, capitalismo e patriarcado”, demonstrando um compromisso com a compreensão de como múltiplas formas de opressão se entrelaçam para moldar a subjetividade e o sofrimento social. Crucialmente, a periferia é ressignificada, passando de um lugar de carência para um “espaço de resistência cultural e produção subjetiva”, um lócus de agência e criatividade.

Diálogos teóricos e influências fundamentais

A construção dessa psicanálise periphérica se nutre do diálogo com diversas correntes de pensamento. Há uma interlocução com a psicanálise lacaniana, cujos conceitos são apropriados criticamente.

Uma influência marcante é a da pensadora afro-brasileira Lélia Gonzalez, cujo conceito de “amefricanidade” é articulado com noções lacanianas como sinthoma e lalangue, buscando fundamentar uma psicanálise informada pelo feminismo negro latino-americano.

O pensamento de Frantz Fanon permeia a obra, fornecendo ferramentas para analisar a dimensão psíquica da colonização, o racismo e seus efeitos na subjetividade. A articulação entre Fanon e Lacan é central para a clínica proposta.

“A periferia não é ausência de centro — é um outro lugar de produção de saber, de escuta e de existência.”